Técnicas para Melhoramento de Solos Moles

Técnicas para Melhoramento de Solos Moles

Técnicas de consolidação, tratamento ou melhoramento de solos são, muitas vezes, imprescindíveis para viabilizar obras sobre áreas instáveis, pois elevam a capacidade de carga do solo e minimizam os efeitos de recalques absolutos. No passado, a presença de solo mole era suficiente para tornar uma área imprópria para receber uma construção. Contudo, o desenvolvimento tecnológico no campo da geotecnia mudou essa realidade.

Hoje, há várias soluções utilizadas para reforço dos solos que possibilitam o aproveitamento dessas áreas, dispensando a remoção da camada de solo mole (que só compensa economicamente para pequenos volumes). A escolha da estratégia de intervenção mais adequada depende da análise de alguns fatores, como tipo e condições do solo, grau de melhoramento pretendido, nível de tolerância dos recalques, custo previsto e prazo de execução, além de espaço e equipamentos disponíveis para a execução dos serviços. Conheça algumas técnicas abaixo:

Geodrenos:

A consolidação dos solos moles por meio de geodrenos ou drenos fibroquímicos e pré-carga temporária é uma das técnicas utilizadas para melhoramento de solos moles, especialmente em terrenos argilosos moles e pouco permeáveis. O processo consiste na implantação de fitas drenantes no terreno e na aplicação de cargas (aterros) que posteriormente precisam ser removidas. No entanto a consolidação do solo mole pode chegar a anos, e embora essa técnica tenha a vantagem de ser econômica, implica prazos extensos de execução.

Ilustração: Sergio Colotto

Colunas de brita vibrocompactadas:

Essa técnica propiciou que os aterros ou obras de infraestrutura sobre solos moles pudessem ocorrer em prazos mais curtos e sem a utilização de elementos de pré-cargas temporárias como nas situações de geodrenos. O material granular pode ou não estar envolto em geossintético, dependendo das características da argila mole.

Ilustração: Sergio Colotto

Ilustração: Sergio Colotto

Injeção de compactação:

Consiste em injetar calda de cimento em fases seguidas e sucessivas, formando bulbos que adensam horizontalmente o solo, conduzindo a água aos drenos verticais.

Ilustração: Sergio Colotto

Deep Soil Mixing (DSM) e o Cutter Soil Mixing (CSM):

A primeira técnica consiste no tratamento de solos moles por meio da mistura com agentes químicos estabilizantes, podendo-se utilizar cal e/ou cimento, formando coluna de material melhorado. Semelhante ao DSM, o CSM forma, em vez de colunas, painéis de material melhorado e pode suportar cargas mais elevadas.

Ilustração: Sergio Colotto

Ilustração: Sergio Colotto

Jet Grouting:

Nos últimos anos, uma técnica que vem crescendo em aplicações no Brasil é o jet grouting, que permite a melhoria de solos sem escavação prévia. A técnica consiste na injeção de nata de cimento no solo por meio de jatos horizontais ou verticais de alta pressão e velocidade (cerca de 250 m/s). De acordo com o engenheiro Luiz Antônio Naresi Júnior, especialista em fundações pesadas e em geotecnia, em função do movimento rotacional que provoca, a calda de cimento desagrega o solo misturando-se a ele para constituir colunas cilíndricas ou painéis de solo-cimento, material que apresenta características mecânicas melhores, além de menor permeabilidade. Tanto o diâmetro quanto a resistência das colunas são funções da característica do terreno e do método de execução.

Disponibilizado por algumas empresas no Brasil, o jet grouting vem sendo indicado para todos os casos em que, pela heterogeneidade dos terrenos ou pelas características de permeabilidade, torna-se difícil a execução dos sistemas tradicionais de injeção e de perfuração.

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Ilustração: Sergio Colotto

Fonte: Revista Infraestrutura Urbana e Keller Brasil.