Engenharia Intensiva: Utilização do BIM para ampliação do Sírio-Libanês

Engenharia Intensiva: Utilização do BIM para ampliação do Sírio-Libanês

Durante todas as etapas de um projeto, desde a sua idealização até a execução, diversas interferências são verificadas entre os projetos arquitetônico, estrutural, hidrossanitário, entre outros. Essas interferências decorrem muitas vezes da falta de comunicação entre os diversos profissionais envolvidos e acabam por prejudicar a execução em diversos níveis, desde simples alterações durante a própria elaboração, até adaptações feitas in loco que nem sempre fornecem o resultado visado.

Da busca por diminuir os problemas gerados pela falta de compatibilização entre projetos surgiu o BIM (Building Information Modeling), um conceito inovador com aplicação na Engenharia, Arquitetura e Construção que se fundamenta numa metodologia de partilha de informações entre todos os intervenientes durante todas as etapas de projeto e execução. Essa visibilidade proporcionada pelo BIM permite que todos os membros da equipe do empreendimento permaneçam coordenados, melhorem a precisão, diminuam os desperdícios e tomem decisões fundamentadas nas etapas iniciais do processo, alcançado o máximo desempenho possível.

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Figura 01 – O BIM possibilita a verificação de possíveis interferências entre vários projetos

A tecnologia BIM teve papel crucial na ampliação do complexo hospitalar Sírio Libanês, em São Paulo. O Sírio Libanês atende mais de 120 mil pacientes e é um importante centro de referência em especialidades e procedimentos médicos de alta complexidade. Construído em 1940 o hospital conta com uma área de aproximadamente 100 mil m² e passou por um programa de expansão para aumentar sua capacidade em 355 leitos.

A ampliação se baseou na construção de três novas torres, duas com 20 pavimentos e uma com 14, todas com interligação de modo que unificassem o complexo e juntas somassem cerca de 72 mil m². Porém, uma obra deste porte seria executada com o hospital em pleno funcionamento e deste modo, a interferência causada deveria ser a mínima possível, o que exigiu dos engenheiros e profissionais envolvidos o estudo e adoção de medidas logísticas minuciosas.

As limitações estavam por todos os lados. Os acessos para os trabalhadores tiveram que ser pensados de modo que a circulação da obra não coincidisse com a do hospital, as interferências sonoras da obra tiveram que ser diminuídas através de técnicas específicas, além de um controle rigoroso sobre a entrega e estocagem dos materiais que eram todas agendadas e ocorriam somente no período noturno.

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Figura 02 – Torres construídas em destaque

Assim, as limitações logísticas fizeram com que os engenheiros controlassem a movimentação de materiais e buscassem o máximo aproveitamento dos equipamentos. Sendo auxiliados nesse processo pelo uso de ferramentas sofisticadas de planejamento, como o Método do Caminho Crítico e a modelagem 3D. O BIM foi utilizado para modelagem das três novas torres de modo parcial, mas não com a intenção de verificar interferências, mas para permitir o acompanhamento entre o planejado segundo o cronograma e o executado de uma maneira visual e mais intuitiva.

A conclusão das obras do Sírio Libanês ocorreu em janeiro deste ano, entregando um complexo hospitalar de alto padrão e com uma série inovações tecnológicas que vão desde itens de sustentabilidade até itens para o conforto dos pacientes internados.

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Figura 3 – Fachada sul da nova torre

Autoria: Gabriel Dibe Andrade

Referências Bibliográficas:

TÉCHNE. Engenharia Intensiva. Editora Pini, janeiro de 2015.

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