Ciclovias: muitos quilômetros a percorrer

Ciclovias: muitos quilômetros a percorrer

O conceito de sustentabilidade vem se difundindo, de modo gradativo, pela população, que tem optado por meios de transportes mais econômicos e ambientalmente viáveis. A Engenharia Civil deve assumir sua responsabilidade social e contribuir, com seu conhecimento e capacitação, para implantar ciclovias e rotas que viabilizem esse deslocamento.

Difundida no século XIX, a bicicleta foi idealizada para encurtar distâncias e aproximar as pessoas, facilitando o deslocamento destas pelas cidades e permitindo atravessar distâncias maiores e em menor tempo, quando comparada aos veículos de tração animal existentes na época. Os primeiros rascunhos de um veículo sobre duas rodas remota ao século V A.C., idealizado por um inventor chinês chamado Lu Ban há 2.500 anos, apesar do projeto viável mais antigo ser o desenho de Leonardo da Vinci de 1490, encontrado por monges apenas em 1966. Por ser um meio de locomoção financeiramente barato, pouco poluente e sem emissões de gases causadores do efeito estufa (fato não tão relevante na época), o transporte não motorizado de duas rodas se difundiu pelo mundo, e, aos poucos, ganhou formas das mais variadas (figura 01). As bikes, como são popularmente chamadas, moldaram-se à medida em que se aprofundou o conhecimento das forças que geram seu movimento, ou seja, ao serem descobertas novas maneiras de tornar o veículo mais eficiente, como se mover mais rápido com menos esforço físico.

Figura 1 – Evolução dos modelos de bicicletas. Fonte: Wikipédia, 2016.

Com o passar dos anos, o aumento populacional começou a ser um fator limitante ao desenvolvimento, pois este é atrelado à poluição e ao uso do espaço, comprometendo o futuro do planeta Terra. Pensando nisso, e no bem-estar geral da população, muitas cidades passaram a aderir a novos meios alternativos de mobilidade urbana e a construir ciclovias, incentivando a população a aderir sua utilização. A bicicleta é considerada a solução existente mais viável e econômica para melhorar a qualidade de vida em uma cidade, pois além de melhorar o trânsito, ocupar menos espaço, não liberar gás estufa durante sua utilização e melhorar a paisagem, atinge diretamente a saúde dos usuários, tornando-os mais dispostos para enfrentar a rotina.

Poucas cidades contemporâneas se enquadram como exemplo de meio urbano para ciclistas, conhecidas como cidades “cicláveis”, tais como Amsterdã, na Holanda (figura 02) e Copenhague, na Dinamarca (figura 03).

Figura (2) - Amsterdam, cidade que aderiu ao sistema ciclo viários nos anos 50.

Figura 2 – Amsterdam, cidade que aderiu ao sistema cicloviário nos anos 50. Fonte: Movimento Conviva.

Figura (3) – Copenhague: Ponte que consagra a cidade como uma das mais preparadas para ciclistas.

Figura 3 – Copenhague: Ponte que consagra a cidade como uma das mais preparadas para ciclistas. Fonte: Hypeness, 2014.

Em paralelo, tem-se a cidade de Florianópolis, cuja situação cicloviária está longe da ideal. Entretanto, com pressões constantes sobre os grupos políticos e econômicos, por parte dos usuários, há perspectivas para a implementação de melhorias e ampliações dessa rede.

Figura (4) - Beira-mar Norte. Destaque para a ciclovia que é separada pelo meio fio das demais faixas de rolamento.

Figura 4 – Beira-mar Norte. Destaque para o meio fio que separa as faixas de ciclistas e transportes motorizados, pois esse elemento caracteriza uma ciclovia. Fonte: Oliveira, 2014.

A necessidade, cada vez mais constante, de um mundo sustentável, tem pressionado o crescimento da utilização de meios alternativos de locomoção. No Brasil não é diferente, apesar de ainda ser consideravelmente limitado. Segundo o G1 (2014), nas capitais do país, apenas 1% da malha viária em 2014 era representada pelas ciclovias, o que é uma lástima para os usuários, visto que o número de bicicletas no Brasil era de 70 milhões. Em 2012, por exemplo, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) havia proposto modelos para ensinar construtoras e prefeituras a implantar e expandir trechos cicloviários em Brasília, que em 2005 aderiu ao Programa Cicloviário do Distrito Federal. Havia planos para implantar pavimento rígido em concreto e interligar cidades satélites através de trechos de 600 quilômetros. Até então tinham sido construídos 400 quilômetros, e era previsto o término da construção no ano de 2015.

A grande companheira deste avanço nos meios urbanos é a Engenharia Civil, responsável por planejar, projetar e executar tais obras, cada dia mais requisitadas. Esta, por sua vez, tem evoluído, visando o bem-estar, saúde dos ciclistas e a sustentabilidade, melhorando a mobilidade, aumentando o número de ciclistas e diminuindo o número de mortes no trânsito. Temos, como exemplo, o projeto Tim Maia, ciclovia na cidade do Rio de Janeiro idealizada para atender a demanda dos Jogos Olímpicos, oferecendo mais espaço para interação entre pessoas e com a natureza. Do ponto de vista da construção civil, esta obra é interessante devido a uma nova técnica construtivao caminho de concreto, um tipo de solução que vem se destacando na construção de ciclovias.

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Figura 5 – Ciclovia Tim Maia, no Rio de Janeiro. Fonte: Santos, 2016.

Com o crescimento da demanda, empresas e indústrias deste seguimento começaram a projetar máquinas específicas para a construção das vias. Por exemplo, existem as máquinas extrusoras, que pavimentam faixas de 1,20 m até 3,10 m de largura, dedicando-se somente à faixas para bicicletas. A vantagem é que o maquinário não molda ondulações, deixando a pista perfeita para o rolamento, além da rápida execução. Vale citar que uma ciclovia construída adequadamente em concreto pode durar 20 anos ou mais, sem manutenção.

Construir uma cidade ciclável não é nada fácil, mesmo com políticos engajados, deve-se ter uma estrutura econômica e cultural disposta a isso, compromissada no desenvolvimento e planejamento. Isso não significa, contudo, que esta seja uma missão impossível. Existem alguns critérios para o projeto de uma ciclovia, como segurança viária, linearidade, integralidade da rede, atratividade e conforto. E durante a realização, deve-se levar em consideração alguns pontos: infraestrutura, sinalização, áreas de conflito e materiais. Estes últimos podem variar de acordo com o local de aplicação. Existem três tecnologias disponíveis para a execução do pavimento:

  1. Pavimento Intertravado: usado em local de redução de velocidade ou alerta.
  2. Asfalto: é o mais comum, mas demanda atenção, pois costuma apresentar deformações devido a temperatura.
  3. Concreto moldado in loco: tem-se destacado por criar um contraste de cor com o asfalto (cinza e preto), o que ajuda na divisão de faixas para os ciclistas e automóveis. Além disso, ajuda, pois sua cor clara contribui para a iluminação e possui boa aderência.

Para execução das ciclovias em concreto deve-se seguir algumas etapas:

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TIPOS DE CAMINHOS CICLÁVEIS

Assim como em muitos outros segmentos, os “caminhos de ciclistas” também apresentam variação no que diz respeito a sinalização e modelo de construção. São basicamente 3 tipos:

Figura (6) – Tipos de ciclovias.

Figura 6 – Tipos de ciclovias. Fonte: Fucuchima, 2012.

Sendo assim, a ciclovia se destaca por ser mais segura para o deslocamento e lazer, ajudando ao mesmo tempo ciclista e motorista, reforçando o que já está explícito no código brasileiro de trânsito, que diz que os veículos de maior porte devem se responsabilizar pela segurança dos mais vulneráveis.

Autoria: Thiago Romeu Antunes

Acesso às REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.