Crise: até quando?

Crise: até quando?

No Brasil, o mercado da construção civil vivenciou, na última década, uma fase de crescimento elevado. Foram anos de euforia para empreiteiras e imobiliárias. De altíssimos orçamentos, a exemplo de obras de estradas, até obras de custo mais baixo, como reformas simples. Contudo, sabe-se que este mercado é oscilante.

Infelizmente, o cenário atual não é dos mais otimistas. Uma conjuntura de fatores teve influência para gerar esta queda que começou há alguns anos no país. Especialistas afirmam que milhares de empregados foram e serão demitidos neste período de crise e que empresas deverão se acostumar com uma época de recessão. A rentabilidade do setor caiu quase 10% de 2013 para 2014. A recuperação virá de forma lenta e deverá começar apenas em 2017, segundo a revista Exame (2015).

Adversidades como esta causam um efeito “bola de neve” na economia, já que o setor fica estagnado e, consequentemente, diminui a circulação de capital. Desta forma, desacelera a economia e diminui o poder aquisitivo da população em geral. É óbvio que a construção civil não é o único mercado que sofre com a retração da economia brasileira; entretanto, possui particularidades que deixam seu estado mais complexo: ela se autodestruiu. Em relação ao mercado imobiliário, observou-se uma exaltação originada anos atrás. Inúmeros lançamentos, que atualmente não conseguem encontrar compradores, ficam parados sem movimentar o mercado. Consequentemente, novos lançamentos não estão na mente das construtoras. Já para as empreiteiras, o problema é outro: escândalos de corrupção. Isso gera dívidas para o caixa federal e também afeta toda a classe de engenheiros civis, denegrindo sua imagem.

Imagem 1: Marcelo Odebrecht (ex-diretor da construtora Odebrecht) sendo condenado à prisão. Fonte: Época, 2015.

Imagem 1: Marcelo Odebrecht (ex-diretor da construtora Odebrecht) sendo condenado à prisão. Fonte: Época, 2015.

Imagem 2: Alta oferta imobiliária. Fonte: GN Imóveis, 2015.

Imagem 2: Alta oferta imobiliária. Fonte: GN Imóveis, 2015.

Para o futuro, as previsões dependem de uma série de fatores econômicos e políticos. Como mencionado antes, o reaquecimento do mercado da construção civil virá de forma lenta. Ainda há esperanças. Novas fases do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foram anunciadas e prevê-se que sejam concretizadas logo. Outra possibilidade seria a ampliação de crédito para atrair mais compradores de imóveis. Apesar de paliativas, estas medidas podem começar a aquecer o mercado, porém não são solução plena para a crise do setor.

Investir em inovação se apresenta como uma das melhores formas de superar a crise. Já existem exemplos de empresas que inovaram e garantiram sua fatia em seus respectivos mercados. Como é o caso do Über e Airbnb, que aplicaram o diferencial da economia compartilhada. Estas empresas apresentam resultados crescentes mesmo em seus mercados no Brasil, indo na contramão da crise. Para a construção civil, há uma tendência de apostar em práticas e tecnologias sustentáveis como saída à crise, tendo em vista a bolha do momento ao redor de desenvolvimento sustentável. Em certos países, como Austrália, construções com alta atenção para atitudes de preservação ambiental conquistam o prêmio máximo de reconhecimento sustentável do país, o Green Star.

Outra ideia para futuras perspectivas seria analisar a possibilidade de expansão das empresas, ampliando para mercados exteriores que não estão tão desacelerados quanto o brasileiro. Todavia, deve haver muita cautela, pois este é um grande passo. Então, ele deve ser acompanhado por uma série de estudos e aumento da qualidade do produto ou serviço oferecido.

Melhorar a cultura das empresas e valorizar a mão-de-obra qualificada também ajudaria muito a favorecer o setor da construção. Porque, assim, ocorreria um crescimento conjunto do trabalhador e da empresa.

Autoria: Ângelo Manzan Dalla Vecchia

Acesso às REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.